A Polícia Militar registrou boletim de ocorrência por abuso de autoridade, desacato, lesão corporal e ameaça contra o promotor de Justiça substituto Fábio Camilo da Silva, lotado em Guarantã do Norte, a 721 km de Cuiabá. O promotor teria discutido com um policial, dizendo-lhe para “colar os cascos” ao falar com ele e ameaçado o PM de morte.

O caso aconteceu em frente a um posto de combustíveis na BR-163, em Terra Nova do Norte, por volta das 11h desse sábado (1º). Segundo o BO, Silva estava bêbado. Um vídeo que teria sido feito por um policial militar e anexado ao boletim de ocorrência mostra a abordagem. Silva não foi preso, segundo a PM, porque tem prerrogativa de função. Ele só poderia ser preso em flagrante por crimes inafiançáveis, como racismo, terrorismo, tortura, tráfico e crimes considerados hediondos.

Assista:

A reportagem não conseguiu falar com Silva, que foi empossado promotor substituto em abril. Em nota, o Ministério Público do Estado disse que repudia o fato ocorrido e que está tomando as providências para apurar a conduta do servidor público, que poderá ser exonerado do cargo. O MPE disse ainda que trata-se de um caso isolado.

Boletim de ocorrência

Conforme o BO, a PM foi chamada por uma pessoa que passou pelo local e viu um carro parado e com os dois ocupantes discutindo. O boletim narra que o promotor, ao ser abordado pelo policial militar Edmilson Correa, perguntou se ele sabia com quem estava falando e que o PM deveria ‘colar os cascos’ para falar com ele.

Depois, o promotor teria ainda dado, mais de uma vez, ordem de prisão ao soldado. Disse também que tinha certeza que a arma que o policial portava tinha numeração raspada e que a polícia iria ‘plantar’ droga em seu carro. No veículo os policiais encontraram garrafas de cerveja vazias e uma de uísque. Ainda segundo o BO, o promotor deu uma gravata no soldado que lhe abordou e disse que iria matar o policial com a própria arma dele.

Preso de cueca e toga no dia seguinte

O promotor de Justiça Fábio Camilo da Silva se envolveu em mais confusões após ser liberado pela Polícia Militar, depois de ter interceptado supostamente dirigindo embriagado, na tarde de sábado (1º). Na madrugada deste domingo (2), ele teria ameaçado hóspedes de um hotel da cidade e jogado água em um deles. Horas depois, no período da manhã, ele quebrou a porta de vidro de uma emissora. Novamente, ele foi detido.

No sábado, o promotor havia discutido com policiais militares em uma rodovia próxima a Peixoto de Azevedo, após ser interceptado pela PM em razão de dirigir supostamente embriagado. Ele foi conduzido para a Delegacia, acompanhado de outro membro do MPE, chamado para acompanhar a ocorrência. O delegado plantonista registrou boletim de ocorrência sobre o caso, no qual apontou que Silva cometeu crime de desacato e embriaguez ao volante. O promotor, porém, não permaneceu preso, pois possui prerrogativa de foro, em razão do cargo. Caso ele ficasse detido, os militares poderiam ser presos por abuso de autoridade. A legislação determina que autoridades com foro podem ser presas somente em crimes inafiançáveis, como tráfico de drogas, racismo, tortura, crimes hediondos e terrorismo.

De acordo com a Polícia Militar, na madrugada deste domingo, funcionários do Sedna Palace Hotel, em Guarantã do Norte, acionaram a PM e relataram que o promotor estaria ameaçando um hóspede e seus amigos, mandando que eles saíssem do local. Conforme o boletim de ocorrência, Silva ainda teria tentado levar um funcionário do hotel até seu quarto, porém o pedido foi considerado estranho e o rapaz não foi. A PM relatou que logo que chegou ao local encontrou o homem visivelmente alterado. Silva argumentou à polícia que somente teria jogado água em um dos hóspedes.

Os hóspedes relataram à PM que Silva os ameaçou e disse que “era melhor eles saírem do hotel ou a situação se complicaria para eles”. A Polícia Militar afirmou que tentou pedir ao promotor para se acalmar. Na sequência, o membro do MPE teria deixado o hotel, dizendo que iria até a cidade de Colíder. Horas depois, na manhã deste domingo, Fábio Camilo da Silva foi detido novamente. De acordo com a Polícia Militar, ele foi à sede da TV Migrantes, afiliada do SBT em Guarantã do Norte, e quebrou uma porta de vidro da emissora. Ele chegou a machucar a perna durante a ação. O motivo para ele ter cometido tal ato nem o modo como ele quebrou a porta ainda são desconhecidos pela PM. Logo após o ato, a Polícia Militar foi acionada e o promotor foi detido novamente. Ao perceber a presença dos militares, ele chegou a colocar a beca, para demonstrar que é uma autoridade. Por baixo da toga, ele usava apenas uma cueca, sem qualquer bermuda ou calça.

Excluído ao tentar “virar juiz”

O promotor de Justiça de Guarantã do Norte, Fábio Camilo da Silva, foi excluído do concurso para seleção de magistrados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, em 2014. Conforme a banca examinadora do órgão, Fábio teve conduta desabonadora em sua vida pregressa ao concurso e, por isso, não foi aceito como juiz naquele Estado. Ele tentou recorrer ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra a exclusão. Em 2015, o conselho negou o recurso.

“Não cabe a este Conselho a revisão de todo e qualquer ato praticado pelas Bancas examinadoras, senão excepcionalmente e apenas nos casos em que se divise ilegalidade flagrante ou violação inequívoca às normas do edital ou das suas resoluções”, pontuou a conselheira, ministra Maria Cristina Irigoyen Peduzzi. O promotor foi empossado no Ministério Público de Mato Grosso (MPE) em abril deste ano.

http://www.xba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/kir8sJi.jpghttp://www.xba.com.br/wp-content/uploads/2017/07/kir8sJi-200x150.jpgRenato FerreiraNotíciasA Polícia Militar registrou boletim de ocorrência por abuso de autoridade, desacato, lesão corporal e ameaça contra o promotor de Justiça substituto Fábio Camilo da Silva, lotado em Guarantã do Norte, a 721 km de Cuiabá. O promotor teria discutido com um policial, dizendo-lhe para “colar os cascos” ao...Notícias de todo estado da Bahia, Salvador, Camaçari, Entre Rios, Alagoinhas entre Outras cidade do Estado